O Rio de Janeiro não me deve nada Aceitarei e dobrar-me-ei humildemente às críticas que me vierem a ser feitas por haver me mantido distante das manifestações de apoio ao Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Não direi nada em minha defesa, não vou retrucar ou tentar me explicar, pois as entenderei como admoestações legítimas. Na verdade, estarão cheios de razões aqueles que, apontando-me o dedo indicador, vociferarem que eu poderia ter feito muita coisa em favor da candidatura carioca, antes da decisão desta sexta-feira (2) do Comitê Olímpico, em Copenhague, Dinamarca. E acharei até que meus possíveis críticos estarão sendo parcimoniosos. Omiti-me e sou réu confesso. Eu poderia, ao longo de todo este ano, ter desenvolvido um trabalho persistente de convencimento da importância do Rio de Janeiro para palco das Olimpíadas e mostrado, com argumentos abundantes, caudalosos e irretorquíveis, que os demais concorrentes não estavam à altura da “Cidade Maravilhosa”. Inclusive, uma imensa estrutura sempre esteve à minha disposição para desempenhar o meu papel de apologista do Rio e não a usei. Eu poderia ter usado os bancos das pracinhas da "Bocha" e da "Igreja Católica", aqui de Jardim Camburi (Vitória-ES), para discursar, pelo menos três vezes por semana, e conclamar os moradores do bairro a se unirem numa única energia em favor do Rio. Também, poderia ter pedido a Dino Grácio - e ele não me negaria -, umas boas idéias artísticas para panfletos que eu distribuiria aqui no bairro, nos dias de feira-livre. Igualmente, poderia ter enchido o “Blog do Chico.Flores” de crônicas enaltecendo a terra carioca como o melhor lugar do mundo e, para reforçar, deveria pedido o apoio do "Blog Donoleari". Enfim, perdi a oportunidade de ser hoje parabenizado pelos meus esforços para a vitória do Rio de Janeiro. Mas, vou tentar me redimir, colocando-me à disposição do Comitê Olímpico Brasileiro como atleta, com chances de medalha de ouro, na categoria caminhada depois do almoço, na qual eu sou mundialmente imbatível. Sei que essa modalidade não é disputada, mas como a Olimpíada do Rio de Janeiro será a primeira na América Latina, desde o ano 776 a.C - portanto uma novidade milenar - acho plausível adicionar-se uma novidade aos Jogos. Acredito que dependerá apenas de vontade política para que eu vire um atleta olímpico. Digo vontade política porque saúde eu tenho. Para um cara com 67 anos como eu, não significa anormalidade ter pressão arterial oscilando entre 15 e 17 por 9, crises periódicas de hemorróidas e uma irremediável ciclotimia. Portanto, para minha idade, estou fisicamente apto e não há nenhum empecilho. E como já são mais de 18 horas, vou ali no barzinho “Laranja Mecânica” treinar um pouco de levantamento de copos. Fui....
Escrito por chicoflores às 18h40
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