Mesmo em grego, acho que o Brasil tem jeito A intelectualidade mundial já concluiu que é difícil descrever com total fidelidade e em poucas palavras a posição revolucionária da Grécia na história humana. Estou de acordo, mas vou um pouco mais adiante, acrescentando ser impossível mensurar o que os gregos antigos nos legaram em termos de civilização, cultura e educação. Na verdade, se a gente parar para pensar direitinho, concluiremos que muitas das idéias que ainda se discutem em política, ciência e filosofia, por exemplo, são ecos do que já pensavam os gregos mais de 20 séculos atrás. Eles eram fenomenais e até acredito que aquela turma estava fora do seu tempo, como um fenômeno quântico bem complexo e digno de mais estudos. Claro que muitas coisas acrescentamos, modificamos, demos nova forma sem mexer no conteúdo e até, em cima do que os gregos faziam antigamente, pegamos a deixa, encaixamos duas ou três palavras ou fórmulas físicas e/ou matemáticas e a reapresentamos como se fossem idéias novas. Tem até os mais sabidos que registraram patentes e viraram donos de verdades de 3 mil anos atrás. Tudo bem que a evolução é assim mesmo, sempre dá mais um passo a partir de uma modificação, por mais sutil que seja. Por isso, eu sei que coisas que geraram conceito há 3 mil anos sofreram influencias e passaram por transformações até chegarem a nós, só que, mesmo assim, acho que o crédito não deve ser omitido. Se o cara que as concebeu se chamava أنطونيو ou Педро, eu acho que é o seu nome, em qualquer idioma, que tem de ser citado. Foi mais ou menos isso que eu disse, instantes atrás, a Jarbinha Sonegheth, um aposentado como eu que também gosta do barzinho “Laranja Mecânica” aqui de Jardim Camburi, Vitória (ES). Tudo começou quando ele afirmou – nós dois já na terceira cerveja - que nossos políticos são como aves columbinas que se adaptam à realidade em que vivem. Segundo explicou, elas dependem da permissibilidade do ambiente e assim se proliferam. Eu nada acrescentei e procurei desviar o assunto, pois sabia que Jarbas estava certo. Na verdade, eu não o podia contestar, já que no fundo compartilhava da mesma opinião. Eu sempre entendi que, enquanto o político não tiver a mesma consciência de pátria idêntica à de um militar, por exemplo, será sempre um aproveitador. Ele vai se eleger apenas para se “fazer”. Eu entendo que pátria, para o político brasileiro atual, continua sendo apenas um comércio que é bom ou mau de acordo com as circunstâncias. Isso quer dizer que ele pode se dar bem quando é da situação ou ganhar menos quando é da oposição. E é essa discrepância que vem predominando no Brasil desde o período colonial, quando se instaurou a máxima “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Todos sabemos que desde o primeiro governador geral do Brasil, a partir do Século XVII, o stablishment não passou de predador. Ninguém seguia qualquer conceito filosófico e a administração pública era meramente predatória. Todo mundo queria ganhar ao máximo, sem se importar com o bem público. Portanto, não havia uma filosofia de ocupação e sequer se pensava em alguma coisa idêntica. Conceitos de pátria sequer eram ventilados. Pátria, como uma entidade espiritual ou razão de ser que dá estrutura a um país, que o define, o indivisualiza e o identifica - naquela época ninguém queria saber disso. O sentido era o da sobrevivência e de transmitir para as gerações futuras o mesmo desígnio. Assim sendo, o talento político que evoluiu daí se arraigou e se mantém inalterado. Portanto, acho explicável que, passado tanto tempo, ainda não conseguimos ser totalmente éticos na política. É explicável porque o nosso DNA social mantém o mesmo registro da época da colonização, apesar das mudanças de consciência política até agora. Ética, probidade, responsabilidade social e sensibilidade ambiental já fazem parte de nosso inconsciente, mas ainda não se estratificaram em nosso subconsciente coletivo e não tomaram a forma de um imperativo. Por exemplo, a nação elegeu o Partido dos Trabalhadores para governar o país, pois ele era algo novo e se identificava com os anseios mais gerais de uma nova era que ganhava espaço em nosso subconsciente coletivo. Só que, passados mais de seis anos, o PT se revelou igual às demais siglas políticas que representam as várias correntes de nossas oligarquias tradicionais. Ou seja, o PT também tinha 500 anos de interesses arraigados, mas nós não sabíamos. E aí gente, imitando os velhos pensadores da Grécia antiga como Sócrates, Platão e Aristóstoles, eu só posso dizer o seguinte: “Quando a coisa não coisa a gente não aquele, faz que nem”. Em grego: “Όταν τα πράγματα δεν είναι κάτι που δεν το κάνουμε, μου αρέσε”. E vou esperar que meus bisnetos tenham um país melhor.
Escrito por chicoflores às 11h58
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