Blog de chico.flores

01/08/2009

Em defesa da cerveja luto contra o aquecimento global

 

Não sou totalmente engajado, a ponto de participar de qualquer ato público, passeata e/ou pichação de muro madrugada a dentro, mas dou a maior força e torço para que a defesa do planeta contra o aquecimento global não seja esmorecida e tenha pleno êxito. Não é que eu seja um acomodado, desses que deixam a luta para os outros, sabendo que do sucesso dela também se beneficiará. Não e não.

 

O que acontece é que já estou velho para sair às ruas, fico rouco só de pensar que terei de fazer discursos e a idade não me permite mais apanhar sereno, já que corro risco de me gripar. Portanto, não estou em condições de radicalizar, não sou mais xiita e minha época de quebrar o pau já passou, mas isso não quer dizer que esteja sendo omisso, muito pelo contrário.

 

Não sou um alienado e sei que o aquecimento global cobrará um preço alto à humanidade, já que ninguém se livrará das conseqüências da catástrofe planetária. No momento mesmo, alguns efeitos do desastre já podem ser especulados, como, por exemplo, o aumento vertiginoso no preço da cerveja, não só no barzinho Laranja Mecânica aqui de Jardim Camburi (Vitória-ES), mas em nível mundial. E essa ameaça me preocupa e me deixa revoltado.    

 

O preço da cerveja aumentará porque a mudança climática prejudicará a produção de cevada, ingrediente essencial dessa bebida, segundo um estudo de um cientista da Nova Zelândia, Jim Salinger, que é especialista ambiental do Instituto de Água e Pesquisa Meteorológica Neozelandês. Segundo Jim, o aquecimento global destruirá grande parte dos cultivos do cereal na Oceania.

 

As áreas secas da Austrália e Nova Zelândia receberão cada vez menos precipitação, levando à redução da área plantada de cevada. Por causa disso haverá uma redução drástica da produção de cerveja, nos próximos anos. “Nesse caso, os bares terão de deixar de servir cerveja ou ela será muito mais cara”, explicou Jim que, assim como eu e pelos mesmos motivos, também está bastante preocupado.

 

Portanto, como disse no início da crônica, dou a maior forço e torço para que a luta em defesa do planeta comece a dar sinais de vitória desde já, antes que Fabrício e Daniela, donos do Laranja Mecânica, comecem a fazer mudanças na tabela de preços da cerveja, já por conta do alerta do cientista neozelandês.


Escrito por chicoflores às 19h26
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30/07/2009

Estou mais íntimo de Ninkasi, a Deusa da Cerveja

 

Claro que nem sempre as coisas funcionam como a gente quer. Às vezes dão certo e às vezes não, mas isso não quer dizer que devamos desistir. Aliás, o termo “desistir” jamais deve constar do vocabulário de um cara “vencedor”. O vencedor é aquele que nasceu para ser o melhor e dar certo em todos os sentidos e, já na infância, consegue se sobressair e ocupar espaços.

 

Na verdade, a pessoa que nasceu para vencer dá logo sinais de ser vitoriosa nas primeiras manifestações de vida, ainda bebê, não importa o berço de nascimento - se rico ou pobre. Nada a detém e ela prossegue num tipo de busca que só ela, mesmo ainda na tenra infância, entende e sabe o porquê. Esse tipo de pessoa nasceu buscadora.

 

A pessoa buscadora é aquela que não respeita obstáculos e os enfrenta como se eles fossem simples pedras no caminho. E é assim que estou enfrentando a busca pela descoberta da letra e música do Hino à Ninkasi, a Deusa da Cerveja venerada pelos sumérios há quase 3 mil anos a.C. Usei todos os recursos que a internet me dá e já consegui, pelo menos, a letra do hino, mas falta a música.

 

Portanto, a minha busca ainda não terminou. É que eu a iniciei por fontes científicas, como sites arqueológicos, e sequer pensei que fontes alternativas, como sites de beberrões como eu, seriam eficazes. Aí está e letra que eu consegui graças ao “blog Confrariadabirita” (http://www.confrariadabirita.com.br). Agora sairei em busca da música, nem que seja de um simples fragmento de partitura.

 

“Hino em louvor à Ninkasi

 

Nascida da água corrente (…)

Delicadamente cuidada por Ninhursag

Nascida da água corrente (…)

Delicadamente cuidada por Ninhursag

 

Tendo fundado sua cidade pelo lago sagrado,

Ela rematou-a com grandes muralhas por você,

Ninkasi, fundando sua cidade pelo lago sagrado,

Ela rematou-a com grandes muralhas por você.

 

Seu pai é Enki, Senhor Nidimmud,

Sua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado,

Ninkasi, seu pai é Enki, Senhor Nidimmud,

Sua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado.

 

Você é a única que maneja a massa,

com uma grande pá,

Misturando em uma cova o bappir com ervas aromáticas doces,

Ninkasi, você é a única que maneja

a massa com uma grande pá,

Misturando em uma cova o bappir com tâmaras ou mel.

 

Você é a única que assa o bappir

no grande forno,

Coloca em ordem as pilhas de sementes descascadas,

Ninkasi, Você é a única que assa

o bappir no grande forno,

Coloca em ordem as pilhas de sementes descascadas,

 

Você é a única que rega o malte

jogado pelo chão,

Os cães fidalgos mantém distância, até mesmo os soberanos,

Ninkasi, você é a única que rega o malte

jogado pelo chão,

Os cães fidalgos mantém distância, até mesmo os soberanos.

 

Você é a única que embebe o malte em um cântaro

As ondas surgem, as ondas caem.

Ninkasi, você é a única que embebe

o malte em um cântaro

As ondas surgem, as ondas caem.

 

Você é a única que estica a pasta

assada em largas esteiras de palha,

A frialdade dominou.

Ninkasi, Você é a única que estica

a pasta assada em largas esteiras de palha,

A frialdade dominou.

 

Você é a única que segura com ambas as mãos

o magnífico e doce sumo,

Fermentando-o com mel e vinho

(Você, o doce sumo para o eleito)

Ninkasi, (…)

(Você, o doce sumo para o eleito).

 

O barril filtrador, que faz

um som agradável,

Você ocupa apropriadamente o topo

de um grande barril coletor.

Ninkasi, o barril filtrador,

que faz um som agradável,

Você ocupa apropriadamente o topo

de um grande barril coletor.

 

Quando você despeja a cerveja filtrada

do barril coletor,

é como os barulhos dos cursos

do Tigris e do Euphrates.

Ninkasi, você é a única que despeja

a cerveja filtrada do barril coletor,

é como os barulhos dos cursos

do Tigris e do Euphrates.”


Escrito por chicoflores às 11h28
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27/07/2009

Ainda farei "happy hour" em louvor a Ninkasi

 

Não sei a letra e nem conheço a música e é por isso que não canto, como adoraria fazer, o hino a Ninkasi, a Deusa da Cerveja venerada pelos antigos sumérios há quase 3 mil anos a.C. Já fiz o possível para saber, pelos menos, os primeiros acordes, mas não consegui, apesar de procurar com avidez e ansiedade em dezenas de sites arqueológicos, sem sucesso.

 

Em todos eles só encontrei, até agora, referências comprovando a existência dessa sublimada deidade, mas só isso. Sobre o hino, nada de concreto, sequer uma simples nota musical ou um verso fragmentado. Nem mesmo evidências de um refrão do tipo “tchan, tchan, tchan” da Quinta Sinfonia de Bethoven consegui obter.  

 

Até agora, só sei que arqueologia chegou à conclusão de que Ninkasi era a dona da festa nas rodadas de cerveja dos sumérios, a partir da descoberta de escritos em acádico, que era a língua deles, em placas de barro. Inclusive, acharam até uma inscrição do que seria um cardápio, que relacionava uma espécie de lingüiça de carne de camelo como um tira-gosto de primeira linha. Até agora só isso.

 

Portanto, continuo a busca, pois para mim é importante conhecer o Hino a Ninkasi, no mínimo fragmentos dele, já que será melhor cantá-lo nos barzinhos que freqüento do que ficar ouvindo e/ou solfejando músicas que sequer eu gosto. Quero poder cantar como um velho beberrão sumério, daqueles que sabiam que a cerveja era também mais um néctar dos deuses, pois ele era íntimo deles, segundo a Bíblia.

 

Por isso não desisto de minha busca, até porque, como velho jornalista aposentado graças a Deus, tenho todo o tempo do mundo para continuar minha pesquisa sobre a Deusa Ninkasi, sem me preocupar com qualquer outra tarefa. Aliás, por falar nisso, há cinco anos, depois de minha aposentadoria, sequer me preocupo com “que horas são agora?”.

 

Assim sendo, como um bom beberrão de cerveja que sou e seguindo a tradição dos meus antepassados suméricos de 3 mil anos antes de Cristo, posso garantir que, um dia, ainda vou entrar no barzinho Laranja Mecânica, aqui de Jardim Camburi (Vitória-ES), e pedir a primeira cerveja entoando o hino à minha Deusa. Quem sabe se, até lá, não farei isso na própria língua acádica?  

 


Escrito por chicoflores às 23h18
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BRASIL, Sudeste, VITORIA, JARDIM CAMBURI, Homem, Portuguese, Portuguese, Bebidas e vinhos, Música
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