A mim pouco me importa o baixo nível intelectual de Lula Não dou a mínima importância ao fato de nossa tradicional elite intelectual não ter conseguido, ainda, engolir um Lula da Silva, torneiro mecânico semi-alfabetizado, ocupando a Presidência da República. E para mim pouco me importa se essa turma goste ou não, pois conheço essa castinha e sei perfeitamente como ela se origina. Não vou mentir e nem dizer que, em alguma fase de minha formação intelectual, nunca tenha sido induzido a renegar minhas próprias origens. Ao contrário, vou até confirmar, pois esta continua sendo a leimotiv de nosso ensino superior. Nas faculdades, somos intuídos a nos ver e nos comportar como superiores, a partir da própria formação de nossos professores que, igualmente, foram induzidos por seus mestres. É preciso que se entenda que as nossas universidades não perderam a sua estrutura subjetiva elitista. O simples fato de estar nelas incute uma sensação de superioridade que se manifesta, inclusive, no relacionamento familiar, de irmão para irmão, de filhos para pais, de marido para mulher e de esposa para... E assim vai... A coisa começa no seio familiar e se manifesta no indômito desejo dos pais de levar os filhos até a universidade. Nosso ensino superior continua baseado na ideologia da superioridade social e tem como escopo a própria reação da sociedade que também, desde o império, aprendeu a dignificar seus membros de acordo com seu nível de escolaridade. Inclusive, até final do século passado, era impossível um político ser acatado se não tivesse um diploma de doutor. Quem não tivesse virava mera inspiração para chargistas e cronistas políticos. Por isso, não dou a mínima para as chacotas sobre o nível de escolaridade de Lula, o que não quer dizer que eu, ideologicamente, o apóie. Não, não, não apóio o PT, pois somos ideologicamente irreconciliáveis e jamais haverá uma tênue possibilidade de que eu siga a mesma trilha dos petistas. Há uma distância cósmica entre minha maneira de conceber povo e atividade política e a que usam os petistas para se manterem no poder Eu sou um comunista e minha formação é marxista, o que já se estratificou e me deu a consciência de que a humanidade não pode ser dividida em classes e que não existe uma classe que domine a outra. Ninguém é dono de nada e todos nós estamos no planeta para usufruí-lo, igualmente. Aliás, a própria ciência já comprova que, se não mudarmos nossas atuais relações de produção, destruiremos a vida na terra. Mas, voltamos ao tema inicial. Eu acredito que, se nossa tradicional elite intelectual, que é mais americanista do que tupiniquim, prestasse atenção à história dos presidentes norte-americanos, iria reduzir a sua aversão a Lula. No mínimo, concluiria que os eleitores lá do Hemisfério Norte também tiveram seus erros de avaliação. O presidente Lyndon Johnson (1963-1969) trabalhou de lixeiro, engraxate, lavador de louça, operador de elevador, porteiro, pião de construção, assistente de gráfica e instalador de armadilhas de caça, antes de ser abençoado e se tornar o presidente dos Estados Unidos. Também porteiro foi James Garfield (1881-1881). Lavar louças foi a profissão de três presidentes; Johnson, Gerald Ford e Ronald Reagan, este antes de ser ator de cinema. Mas a surpresa fica para Gerald Ford, que foi cozinheiro, jardineiro, treinador de futebol americano e de box e modelo. Dois presidentes já trabalharam costureiros, Millard Fillmore (1850-1853) e Andrew Johnson, que veio dois mandatos depois. Vai daí, eu concluo que a ojeriza da nossa tradicional elite intelectual a Lula não passa de mero desconhecimento da história, principalmente do país que essa mesma turma tem como exemplo de boa cultura e sólida economia.
Escrito por chicoflores às 01h24
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