Blog de chico.flores

18/04/2009

‘En passant’, me lembrei de vodka e Moscou

Diz um ditado russo que "a vodka é pura como lágrima" e eu não discordo, pois sua produção, através da destilação e da filtragem do álcool em carvão, elimina a maior parte das impurezas. Sei perfeitamente que ela é um destilado limpo, inclusive, está livre daqueles ingredientes responsáveis pelo mal estar existentes em outras bebidas, mas, mesmo assim, não conta com a minha preferência.

Mas, isso não vem ao caso, pois apenas me refiro à vodka porque me lembrei de Moscou, não a Moscou contemporânea, mas aquela do meu tempo de estudante de Direito da Universidade "Patrício Lumumba", 40 e tantos anos atrás. Pelo que sei, a de hoje é bem diferente e só em uns poucos aspectos se parece com aquela metrópole que foi a capital da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Da Moscou atual apenas sei o que as revistas ou sites de turismo dizem, mas, mesmo sendo leituras direcionadas à atração de turistas, em algumas pode-se pinçar realidades que assustam. Uma dessas publicações que li classificava a capital da Rússia como "um conto de fadas ameaçador". E acrescentava: "Uma Cinderela que não deixe o Kremlin à meia-noite pode perder mais que o sapatinho de cristal."

Claro que as cidades mudam, ganham novos aspectos, são influenciadas por outras culturas e até mudam o modo de vida de seus habitantes. Vitória, aqui no Espírito Santo, mudou bastante em 40 anos e não é mais uma "Cidade Presépio", e assim deve ter acontecido com a Moscou florida que conheci quatro décadas atrás, quando sequer se imaginava um mendigo nas ruas, quanto mais populações de sem-teto como hoje.

Na minha época, Moscou beirava os 3 milhões de habitantes e hoje tem mais de 9 milhões. Não era uma cidade efervescente e agitada, e não era dominada por contradições: hoje é chamada de feia, mas ao mesmo tempo atraente. Feia em função de seus prédios antigos e de arquitetura cinza, e atraente por abrigar algumas das construções mais fascinantes da Europa e pelo verde exuberante de seus parques.

De minha parte, em relação a Moscou, eu só sei que nunca mais lá voltarei e é com esta verdade que tenho de conviver, e pronto... Inclusive para não criar expectativas imbecis que possam contaminar esta gostosa vida de jornalista aposentado que eu vivo! Em relação à vodka, tudo bem, posso até tomar uma dose de vez em quando, mas sem interferir na minha rotina diária de cervejinhas, após o entardecer.

Aliás, já está passando da hora de tomar "umas"! Fui.....


Escrito por chicoflores às 18h38
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12/04/2009

 

Perdi meu valioso tesouro para Bill Gates

Eu sempre levei a sério a sabedoria popular e jamais minimizei a importância de seus ensinamentos práticos e válidos para a vida toda. Ouvia-os de meus pais, que ouviram de meus avós e assim, sucessivamente, ensinei alguns para minhas filhas, pois são expressões que continuam imutáveis como exemplos morais, filosóficos e religiosos.

Na verdade, compõem uma ciência marcada pela simplicidade, mas mostram que sempre há uma solução para cada problema... E tanto na forma quanto no conteúdo, os ditados populares são inerência cultural de cada povo ou região. Inclusive, historiadores e folcloristas vêm tentando descobrir as suas origens, mas, como se perdem no tempo, a tarefa fica difícil.

Claro que eu excluo do rol das sapiências populares aqueles ditados de botequim, como: "é melhor um peito na mão do que dois no sutien", "é dando que se engravida", "a esperança e a sogra são as últimas que morrem" ou "quem com ferro fere não sabe como machuca". Mas, em relação à ciência do povo, sempre tive comprovações de sua veracidade e utilidade na prática.

Na madrugada deste domingo, por exemplo, tive oportunidade, mesmo em sonho, de comprovar três ensinamentos da sabedoria popular. Sonhei que estava em uma clareira, no meio de uma densa floresta e me sentia compelido a seguir uma trilha que eu não sabia até onde me levaria. Eu estava sendo atraído para dentro da floresta, onde eu deveria encontrar algo que até então não sabia o que seria.

Segui a trilha que, apesar de estreita, estava bem visível, com seu piso pintado de branco, como uma passarela de pedestre em qualquer rua. De repente surgiu à minha frente uma pedra de uns dois metros de altura por uns 10 metros de circunferência com um buraco onde estava um baú de 50cm por 30cm que eu me sentia forçado a abrir.

A fechadura era bem simples e, com um leve toque do dedo indicador, consegui abri-lo, surpreendendo-me: o baú estava cheio de moedas de ouro. Tirei aquele tesouro de dentro do buraco e, gritando "estou rico, estou rico", retomei o caminho de volta. Só que o baú saltou-me das mãos e foi parar a uns 10 metros de distância.

Apressei-me para pegá-lo novamente, mas parei a uns cinco metros dele, quando vi, ao seu lado, o multibilionário americano Bill Gattes que sorriu para mim. Devolvi-lhe o sorriso e esperei que ele pegasse o meu baú e me entregasse. Ele pareceu entender e estendeu os braços em direção ao meu tesouro que, imediatamente, saltou em sua direção, como uma criança saltaria feliz para o colo do pai.

Mas, um forte ruído de grandes hélices em alta rotação me fez olhar para cima, e vi um helicóptero Boeing/Sikorsky RAH-66 de US$ 6,9 bilhões descendo até pairar bem acima de Bill Gates e do meu baú cheio de moedas de ouro e puxá-los para dentro, através de um feixe de luz intensa. E eu fiquei ali, parado, vendo o meu tesouro sumir nas alturas.

Foi aí que, enquanto o helicóptero se distanciava, lembrei-me de três ditados populares: "o rio só corre para o mar", "só ganha quem não precisa" e "dinheiro atrai mais dinheiro". Em seguida, ouvi algo semelhante a latidos às minhas costas. Virei-me bruscamente e deparei-me com três cães que, aos latidos/gargalhadas, riam de mim. Acordei puto da vida.


Escrito por chicoflores às 20h25
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