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| 09/07/2009 |
Perdi os dentes, mas não perdi o apetite Claro que a célebre frase “a juventude é uma coisa maravilhosa; que pena desperdiçá-la em jovens” não é de minha autoria, assim como não fiz nada para torná-la conhecida, famosa e aplaudida pela nata da intelectualidade idosa do mundo inteiro. Igualmente nada fiz que pudesse dar-lhe a dimensão de uma máxima filosófica irretorquível. O que me coube fazer estou fazendo agora, com atraso secular, ao torná-la tema desta crônica desinteressada e destituída de valor literário intrínseco. Faço apenas aquilo que qualquer um faria se, numa tarde de domingo chuvoso e chato como a de hoje, faltando mais de uma hora para assinar presença no bar “Laranja Mecânica”, se lembrasse que já tem 67 anos de idade. Como disse, a frase não é minha, mas, sim, do escritor e dramaturgo irlandês George Bernard Shaw, que a deve tê-la pronunciado naquele primeiro momento em que todo homem se dá conta de que ficou velho. Não sei se a inesperada constatação da velhice o aborreceu e levou-o a estigmatizá-la, ou se ele disse “youth is a wonderful thing. What a shame to waste it young” levado apenas pelo saudosismo. De qualquer maneira, não estou de acordo com a frase do George. Digo isso com toda sinceridade e até vou mais adiante, acrescentando que não gostaria de, num passe de mágica, voltar a ser jovem, o que para mim seria um desastre. Digo desastre porque, logo de cara, perderia a minha deliciosa condição de aposentado. Voltando a ser jovem, eu teria de voltar a trabalhar e estaria condenado a reviver todo aquele período de vida que eu já coloquei nos escaninhos da História. De maneira nenhuma eu toparia uma empreitada dessas. Sou velho, mas não sou maluco! E até afirmo com toda convicção: nem mesmo quando já estiver senil pensarei numa asneira desse quilate. Eu adoro a minha velhice e faço dela a minha maior inspiração de vida. Não quero nem saber se apareceu ou não mais alguma ruga e que, a cada dia, estarei ficando mais velho. Às favas com tudo isso! Preocupo-me apenas em nunca mais cair na tentação de aceitar qualquer convite para retornar à ativa. E peço sempre a Deus que me livre desse tipo de cálice. Estou muito bem na condição de lobo velho que perdeu os dentes, mas não perdeu o apetite. E por falar em apetite, daqui a pouco vou provar os bolinhos de queijo que o barzinho Laranja Mecânica introduziu no seu cardápio de tira-gosto. Garanto que vou gostar e até trazer para casa uma porção para o meu breakfast de amanhã.
Escrito por chicoflores às 11h32
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| 02/07/2009 |
Nunca fui e jamais irei além dos 5% “Só sei que nada sei” talvez seja a mais famosa sentença da História da Filosofia e acredito até que seja a mais lembrada. Eu mesmo me recordei dela em várias ocasiões, principalmente naquelas em que, de verdade, não tinha resposta para alguma inusitada indagação, tanto em termos pragmáticos quanto em teoria. Quem já não teve oportunidade de ouvi-la uma ou mais vezes e quantos não se lembraram dela, ao concluir que ainda têm bastante coisa para aprender? E é nessas ocasiões que se chega à conclusão de que mais inteligente é fechar a boca e seguir à risca o ensinamento do filósofo Plotino: “o silêncio surge como um calar essencial”. A sentença “só sei que nada sei” é originalmente atribuída a Sócrates, o filósofo clássico grego que sempre a usava, quando, de saco cheio, ouvia alguma pergunta idiota. Nessas ocasiões ele levantava a voz, colocava o dedo na cara do interlocutor e vociferava, em grego que era sua língua: “Ξέρω μόνο ότι τίποτα δεν γνωρίζει”.
Gosto de citar Sócrates porque ele foi um filósofo completo, a ponto de, inclusive, valorizar o desvalorizado. Conhecia todas as minudências da existência lógica e ilógica e, ainda, de lambuja, explicava com detalhes as contradições entre vida e viver. No seu entendimento, o substantivo e o verbo muitas vezes não se relacionavam. Sócrates ensinava que o valor intrínseco do ser humano deve ser medido pela sua capacidade de minimizar o impossível. Ou seja: jamais exacerbar o que quer que fosse, nem mesmo as tarefas práticas da subsistência, e levar a vida sempre na flauta. Por isso ele dava importância à preguiça e até dizia que somos todos de índole preguiçosa. E o que filósofo ateniense dizia 400 anos antes de Cristo hoje tem o apoio integral da ciência, que comprovou a veracidade da suas teses depois de descobrir que só usamos 5% da capacidade de nosso cérebro. Nós temos 10 bilhões de neurônios, 100 trilhões de conexões nervosas e mesmo assim, não estamos nem aí. Em nada vamos além dos 5%, a não ser, às vezes, na gorjeta, dependendo do garçom, claro. Eu mesmo já gastei meus 5% ao escrever esta crônica, por isso paro por aqui.
Escrito por chicoflores às 16h24
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O barzinho Laranja Mecânica agora tem seu blog Achei excelente a iniciativa de Fabrício e Daniela de ampliar a comunicação de seu recém inaugurado bar “Laranja Mecânica” através da internet. Foi uma idéia das mais plausíveis, inclusive, pelo ineditismo, já que nenhum bar aqui do bairro Jardim Camburi (Vitória-ES) pensou nisso antes. O endereço é www.laranja.mecânica.zip.net e abaixo transcrevo o texto de apresentação: “Quem somos Com uma decoração inspirada no filme "Laranja Mecânica", um clássico de Stanley Kubrick rodado em 1971, o nosso bar Laranja Mecânica é a mais nova opção de happy hour para quem gosta de um ambiente saudável e de qualidade no atendimento. Localizado em Jardim Camburi, à rua Milton Ramalho Simões, 130, nosso estabelecimento está respaldado numa cozinha de petiscos leves e numa adega variada que vai da cerveja sempre gelada, sucos e aqueles coquetéis que marcaram os inesquecíveis "Anos Dourados". Nossos petiscos são de receitas exclusivas e diferenciadas e têm como ponto forte uma variedade de sanduiches, pratos ligeiros e carnes de frango e bovina em forma de churrasquinho ou direto no prato. Nossa oferta de bebida inclui ainda o Cuba Libre, com rum Montilla, Coca-Cola, limão e gelo; o Hi-Fi, com vodka, Fanta Laranja, laranja e gelo; e o Club Soda, com gim, Soda Limonada, limão e gelo. Oferecemos ainda sucos com combinações especiais de abacaxi, morango, laranja e outras frutas tipicamente capixabas, todos de receitas também exclusivas. Aberto de terça-feira a domingo, das 18h30 à uma da manhã, o Laranja Mecânica também oferece à sua clientela, além de um ambiente agradável e espaçoso, em local privilegiado de Jardim Camburi, a possibilidade de rever shows de seus artistas preferidos através de um telão e de mostrar seu talento tocando nossa guitarra que está sempre à disposição do interessado.”
Escrito por chicoflores às 16h09
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| 14/06/2009 |
A mim pouco me importa o baixo nível intelectual de Lula Não dou a mínima importância ao fato de nossa tradicional elite intelectual não ter conseguido, ainda, engolir um Lula da Silva, torneiro mecânico semi-alfabetizado, ocupando a Presidência da República. E para mim pouco me importa se essa turma goste ou não, pois conheço essa castinha e sei perfeitamente como ela se origina. Não vou mentir e nem dizer que, em alguma fase de minha formação intelectual, nunca tenha sido induzido a renegar minhas próprias origens. Ao contrário, vou até confirmar, pois esta continua sendo a leimotiv de nosso ensino superior. Nas faculdades, somos intuídos a nos ver e nos comportar como superiores, a partir da própria formação de nossos professores que, igualmente, foram induzidos por seus mestres. É preciso que se entenda que as nossas universidades não perderam a sua estrutura subjetiva elitista. O simples fato de estar nelas incute uma sensação de superioridade que se manifesta, inclusive, no relacionamento familiar, de irmão para irmão, de filhos para pais, de marido para mulher e de esposa para... E assim vai... A coisa começa no seio familiar e se manifesta no indômito desejo dos pais de levar os filhos até a universidade. Nosso ensino superior continua baseado na ideologia da superioridade social e tem como escopo a própria reação da sociedade que também, desde o império, aprendeu a dignificar seus membros de acordo com seu nível de escolaridade. Inclusive, até final do século passado, era impossível um político ser acatado se não tivesse um diploma de doutor. Quem não tivesse virava mera inspiração para chargistas e cronistas políticos. Por isso, não dou a mínima para as chacotas sobre o nível de escolaridade de Lula, o que não quer dizer que eu, ideologicamente, o apóie. Não, não, não apóio o PT, pois somos ideologicamente irreconciliáveis e jamais haverá uma tênue possibilidade de que eu siga a mesma trilha dos petistas. Há uma distância cósmica entre minha maneira de conceber povo e atividade política e a que usam os petistas para se manterem no poder Eu sou um comunista e minha formação é marxista, o que já se estratificou e me deu a consciência de que a humanidade não pode ser dividida em classes e que não existe uma classe que domine a outra. Ninguém é dono de nada e todos nós estamos no planeta para usufruí-lo, igualmente. Aliás, a própria ciência já comprova que, se não mudarmos nossas atuais relações de produção, destruiremos a vida na terra. Mas, voltamos ao tema inicial. Eu acredito que, se nossa tradicional elite intelectual, que é mais americanista do que tupiniquim, prestasse atenção à história dos presidentes norte-americanos, iria reduzir a sua aversão a Lula. No mínimo, concluiria que os eleitores lá do Hemisfério Norte também tiveram seus erros de avaliação. O presidente Lyndon Johnson (1963-1969) trabalhou de lixeiro, engraxate, lavador de louça, operador de elevador, porteiro, pião de construção, assistente de gráfica e instalador de armadilhas de caça, antes de ser abençoado e se tornar o presidente dos Estados Unidos. Também porteiro foi James Garfield (1881-1881). Lavar louças foi a profissão de três presidentes; Johnson, Gerald Ford e Ronald Reagan, este antes de ser ator de cinema. Mas a surpresa fica para Gerald Ford, que foi cozinheiro, jardineiro, treinador de futebol americano e de box e modelo. Dois presidentes já trabalharam costureiros, Millard Fillmore (1850-1853) e Andrew Johnson, que veio dois mandatos depois. Vai daí, eu concluo que a ojeriza da nossa tradicional elite intelectual a Lula não passa de mero desconhecimento da história, principalmente do país que essa mesma turma tem como exemplo de boa cultura e sólida economia.
Escrito por chicoflores às 01h24
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| 12/06/2009 |
Bar não é apenas uma casa comercial (Esta foi enviada pelo meu velho amigo e colega de Força Aérea e de Aeroclube, Marcos de Azevedo) Por que será que é mais atraente freqüentar um bar do que uma academia de ginástica? Para responder à pergunta, foi necessário freqüentar os dois (o bar e a academia) por uma semana. Eis o resultado desta importante pesquisa: Vantagem numérica: Existem mais bares do que academias. Logo, é mais fácil encontrar um bar no seu caminho. Ambiente: No bar, todo mundo está alegre. É o lugar onde a dureza do dia-a-dia amolece no primeiro gole de cerveja. Na academia, todo mundo fica suando, carregando peso, bufando e fazendo cara feia. Amizade simples e sincera: No bar, ninguém fica reparando se você está usando o tênis da moda. Os companheiros do bar só reparam se o seu copo está cheio ou vazio. Compaixão: Alguém já te deu uma semana de ginástica de graça? No bar, com certeza, você já ganhou uma cerveja 'por conta'. Liberdade: Você pode falar palavrão na academia? Democracia: No bar, você pode dividir um banco com outra pessoa do sexo oposto, ou do mesmo sexo, problema é seu... Na academia, dividir um aparelho dá até briga. Saúde: Você já viu alguém no bar reclamando de dores musculares, joelho bichado, tendinite? Mas, na academia... Saudosismo: Alguém já tocou a sua música romântica preferida na academia? Emoção: Onde você comemora a vitória do seu time? No bar ou na academia? Memória: Você já aprontou algo na academia digno de contar para os seus netos? PS: Você já fez amizade com alguém bebendo Gatorade?
Escrito por chicoflores às 17h26
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De pernas pro ar que eu não sou de ferro Hoje, eu acordei com uma vontade indômita de não fazer nada e de levar a indolência ao cúmulo do absurdo como se, de uma hora para a outra, eu tivesse me transformado no elemento principal da inércia. Ou seja, naquele conceito que a gente aprende no Colegial que diz que “todo corpo permanece em seu estado de repouso ou de movimento retilíneo e uniforme, a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças a ele impressas”. Por isso, disse para mim mesmo, “não vou mudar nada” e, como se fosse um bestial adepto de uma dessas religiões milenarista e messiânicas que levam seus dogmas às raias do extremismo, eu assumi o desafio de passar o dia sem fazer nada, mesmo. Claro que não teria sido uma novidade, a ponto de ser considerada singular, se não fosse eu ter acrescentado o advérbio “mesmo”, para enfatizar minha vontade. Na verdade, levei minha decisão ao extremo tão logo acordei às 9 horas da manhã e, ainda sem me levantar da cama, assumir a estratégia para concretizá-la. Como meu telefone sem fio dorme no criado mudo, em cima do catálogo telefônico, não tive trabalho de pedir a uma dessas empresas de café da manhã o meu desejum, o que me livrou da cozinha. Até voltei a dormir, depois que a atendente me deu um prazo de uma hora e meia para concretizar o atendimento. Deu tempo até para sonhar que eu estava sentado numa nuvem, bem em cima do local onde uma frota da Marinha, acompanhada de uma esquadrilha da Força Aérea, buscava restos do vôo 447 da Air France que caiu no meio do Oceano Atlântico. Em seguida, tudo mudou e eu me vi dentro de um ônibus que passava pela Avenida Carlos Lindenberg, na altura de Cobilândia (Vila Velha - ES), mas um som estridente me acordou. Levei alguns segundos para cair na realidade, mas mesmo antes que os vapores plúmbeos do sono se dissipassem, entendi que o som era do interfone e que meu desejum havia chegado. Levantei-me, apressei-me em abrir a porta, pois, na verdade, estava com fome e já eram mais de 10 horas, paguei ao entregador e tomei o café da manhã que tinha pedido. Na cesta vieram o café e o leite quentes em pequenas embalagens “longa vida”, vários tipos de pão, manteiga, presunto, geléia e queijo branco. Não consegui ingerir tudo, por isso guardei mais da metade para o lanche da tarde. Satisfeito e convicto de que não tinha burlado a minha decisão, sentei-me confortavelmente e retomei a leitura de “A rebelião de Lúcifer”, livro do escritor espanhol J.J.Benites. Eu até acho que todo adepto do cristianismo deveria lê-lo, para entender a dinâmica do Plano Divino e melhor conviver com a lábia dos iconoclastas e desonestos padres católicos e pastores evangélicos, sem se achar um mero e irremediável pecador condenado a pagar dízimo pelo resto da vida, para se livrar da fogueira eterna após a morte. Eram mais de 13 horas quando fui almoçar no restaurante Calu, quase em frente à minha casa, mas não deixei de, após o almoço, fazer minha caminhada de uma hora pelo bairro, usando apenas as ruas bem arborizadas para fugir do sol. Desta vez, caminhei mais de uma hora, mas, pensei com meus botões: não fugi ao prometido inicialmente e continuei seguindo à risca a promessa de acalentar ao máximo a minha indolência. Tanto assim que demorei mais porque andei mais devagar. Já em casa, tomei um banho frio, fechei a porta principal e das varandas e as janelas do apartamento, acomodei-me na cama e dormir aquele soninho da tarde que me é tão reconfortante quanto um beijo no anel do bispo é para todo neófito de seminário católico. Dormir na paz dos Serafins, que são os anjos de primeira hierarquia e estão mais próximos de Deus, e acordei em torno das 18 horas, prontinho, prontinho para tomar as minhas cervejinhas do dia, sem nenhum drama de consciência. E tomei todas, tendo como tira-gosto sardinhas no molho de tomate que não dão trabalho para mastigar e engolir. E daqui a pouco, depois de ouvir algumas airas de óperas cantadas por Andréa Bocelli, que já está cantando “Com te partiro”, vou dormir como um santo já consagrado e com a certeza de que que passei no teste final e sou um indolente de verdade.
Escrito por chicoflores às 01h38
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| 10/06/2009 |
CIVICA: uma filosofia de vida dos que estão de bem com o mundo Está criada a CIVICA, uma entidade classista que, na verdade, é uma escola filosófica que visa a homogeneização do pensamento dos aposentados de Jardim Camburi, Vitória (ES). Leia a reportagem completa no bem humorado blog do jornalista aposentado Dino Gracio ( www.blogracio.com ).
Escrito por chicoflores às 11h33
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| 09/06/2009 |
Vivendo e aprendendo, mesmo que seja na porrada Não foi à toa que eu, há mais ou menos quinze anos, me interessei pelos escritos de William James, um filósofo americano que deu consistência e popularizou o “Pragmatismo” como corrente filosófica acatada e respeitada, principalmente nos Estados Unidos. Dele eu li algumas de suas crônicas, mas foi suficiente para entender o mote de seus conceitos. Digo que não foi à toa porque, naquela época, eu apenas me sentia desnorteado em relação à minha própria existência no planeta. Na verdade, eu não tinha a mínima idéia do que eu era e sequer entendia o “porque” de eu estar aqui. Quer dizer: assim como todo mundo, eu apenas vivia e seguia à risca os imperativos da existência: me alimentava, me reproduzia, trabalhava, me alimentava, me reproduzia, trabalhava... Vivia eu numa rotina sem entender a sua dinâmica, mas, todavia, à questionava dizendo para mim mesmo: “não estou aqui simplesmente porque estou aqui. Há algo mais.” O que eu li de William James me incutiu uma descrença no fatalismo e me mostrou que eu sou um agente dinâmico da minha vida. Seus textos me deram a certeza de que só o desejo, movido pela inteligência e pela energia do pensamente que o gerou, pode alterar os limites da condição humana. Eu entendi esse paradigma filosófico como uma ênfase às consequências de nossas ações estimuladas pelos nossos anseios. Ou seja: a utilidade de nossos desejos e os sentidos práticos deles. E foi conhecendo essas firulas de nossa condição humana que comecei a mudar minha maneira de encarar meus pensamentos. Até então, para mim eles eram meros estímulos biológicos forjados no dia a dia da existência. Não tinha e menos idéia de que eram energia pura e que conviviam comigo independentes de mim, de onde eu estava ou do que me preocupava. Aliás, todo humano pensa independente da vontade e nem se dá conta que está pensando - está é a verdade. Claro que hoje não estou mais naquela fase da intensa busca pela verdade da vida. Completei 67 anos, sou agora da terceira idade, estou aposentado e - é assim que eu penso -, já fiz a minha parte como ator no grande drama da humanidade até aqui. Não acredito que ganharei novas “falas” para continuar participando do épico espetáculo. Mas não guardo ressentimentos, ao contrário, sinto-me até gratificado por estar tendo a oportunidade de ser platéia. Vejo-me hoje como se fosse uma mera engrenagem sem utilidade para máquina evolutiva e que não influencia mais em nada a dinâmica da evolução, e não estou mais obrigado a realizar qualquer das tarefas destinadas aos que ainda estão em débito com a continuidade da espécie humana, no planeta. Já cumpri todas as etapas e não tenho nenhuma dívida pendente, e agora somente usufruo da vida, como um turista. Assumo minha condição do turista, que é a de estar nesta vida a passeio. Não preciso me preocupar com mais nada, nem mesmo com condições meteorológicas, pois tanto faz ser dia de sol quanto de chuva. Aliás, por falar em dia, já tem algum tempo que minha semana se resume a dois dias: sábados e domingo. Para todo mundo, amanhã é quarta-feira, mas para mim é sábado. Depois, para todos será quinta-feira, mas para mim será sábado, novamente. Isso quer dizer que, como turista, só me preocupo com a parte boa da vida, nada mais. Estou alienado das partes perversas e sequer me dizem respeito às agruras alheias. Na verdade, não estou mais aqui para integrar ou resolver problemas de quem quer que seja. Essa época em que comungava das dores do mundo e me sentia um paladino dos direitos dos oprimidos, até enfrentado a violência da repressão policial e militar – esta época já acabou. Agora eu sou assim – não banco o herói de mais ninguém - porque descobri que todos os humanos têm potenciais disponíveis para forjar sua própria vida, de viver como bem lhes convier, sem ter de culpar ou agradecer a Deus pela vida que vivem. Descobri que sempre fui mentor da vida que vivia e que poderia viver diferente, bastasse apenas querer, isto é, ter maior consciência do poder do livre arbítrio que não nos é bem explicado pelas religiões. E elas não ensinam para não perderem o freguês e, consequentemente, o dízimo. Mas isto é tema para outra crônica.
Escrito por chicoflores às 23h40
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| 18/05/2009 |
O ex-presidente FHC não tem nada a ver com isso ... e Deus sentenciou pausadamente e com aquele vozeirão de trovão que lhe é inerente por dever de ofício: “Ganharás o pão com o suor de vosso rosto, menos o Chico Flores que já fez a parte dele”. E, por consequência, o que faço, agora, nada mais é do que seguir à risca a vontade do Criador e cumprir ipsi literes a sentença divina. Até mesmo quando durmo, jamais sou molestado por sonhos intempestivos que tenham conotações com trabalho. Mantenho-me sempre em sintonia perfeita, pela manhã, à tarde e à noite, com a minha nova condição de mero turista no planeta e faço todo o possível para não contrariar os desígnios celestes. Acordo às 10 horas, me espreguiço ainda na cama, em seguida ausculto-me com bastante atenção para ver se sinto alguma vontade de fazer algo perfeitamente adiável, depois me levanto e, com determinação, vou viver o dia. Não importam nem as condições meteorológicas, pois para mim tanto faz haver sol, chuva, calor ou frio. Diga-se de passagem, eu até formulei e adotei uma nova filosofia de vida que tem como premissa o sentimento, o comportamento e a visão do mundo de um turista feliz. Dessa forma não penso mais como um simples vivente tenso e estressado pelos desafios da subsistência, mas, sim, como quem está apenas obrigado a usufruir da vida. Não sou forçado a nada. Não preciso trabalhar, passar o dia em uma redação de jornal, conviver com neuróticos, paranóicos ou iconoclastas, escrever sem inspiração e/ou defender opiniões que não são minhas. Sou livre e, como se a aposentadoria tivesse sido uma carta de alforria, louvo-a efusiva e diariamente. Aliás, não estarei cometendo nenhuma heresia ao dizer que vivo em outro mundo, pois, na verdade, é isso mesmo que acontece. Só que meu mundo é versátil e, às vezes, dependendo que eu queira ou não, posso interagir com outros ambientes. Entro em contato com outras pessoas, participo de agrupamentos que não são mais meus e até posso influir, ou não, em determinadas situações, na vida de alguém fora do meu contexto. Mas isso eu procuro não fazer. Há poucas horas, por exemplo, eu estava no Bar do Gaúcho, tomando as minhas cervejas do dia, quando Newton chegou. Newton é um velho farmacêutico aposentado que, diferentemente de mim, ainda acha que ser feliz é estar trabalhando. Já discutimos sobre isso, mas, conclui que de nada adiantavam meus argumentos, pois não o tiraria do mundo dele. Eu cito o Newton porque me chamou a atenção o que ele disse, entrando no bar: “Tem muita gente ganhando dinheiro com essa tal de gripe do porco, que virou moda, mas deixando de lado a dengue, que é uma realidade, faz milhares de vítimas e que está matando centenas de brasileiros todo ano”. E ele foi mais adiante: “Vírus de gripe nunca foi ou será problema neste país. Nós temos o limão”. Claro que eu detectei lógica no que o Newton dizia e até o apoiei quando ele explicou: “em 1928, nós combatemos a gripe Espanhola, que matou milhões de pessoas só na Europa, usando o limão. Gente, limão tem ácido ascórbico ou vitamina C e é muito rico em vitaminas, minerais, compostos fenólicos e enzimas. É antimicrobiano, protetor de doenças gastrointestinais e antioxidante... Uma bomba atômica contra o influenza". Tanto vi lógica no que Newton dizia que pedi uma caipirinha ao Gaúcho e a sorvi de “glut glut”, já fazendo as contas de quanto as empreiteiras de saúde, laboratórios, clínicas médicas e o sistema financeiro mundiais estão ganhando com a gripe do porco. Não cheguei a uma cifra, pois a “baba” já deve ultrapassar os bilhões de dólares e tende a aumentar, cada vez mais, a cada conivente nível de alerta da OMS. Como eu já estava de saída do bar, provoquei o Newton, perguntando-lhe também quem estava ganhando com a manutenção da dengue no Brasil: “Chicão, é muita gente e são milhões de reais por ano que essa turma embolsa. Para esses beneficiados, o aedes aegipty é uma mina de ouro e não pode ser extinto. E, em relação a FHC, o título já diz tudo: ele não tem nada haver com o que está escrito aqui.
Escrito por chicoflores às 23h54
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| 07/05/2009 |
Os Coutinhos podem pedir pensão vitalícia de ex-governador Do grande jornalista Orlando Eller recebi e-mail informando que a Editora Barcarolla lança dia 21, às 19 horas, no Forte de Piratininga, em Vila Velha (ES), o romance histórico do jornalista capixaba Cláudio Lachini sobre o donatário da undécima capitania, Vasco Fernandes Coutinho, o primeiro excomungado do Brasil. Achei importante a iniciativa de Cláudio Lachini, pois mostra, segundo o release que veio anexo ao e-mail, quem de verdade foi o primeiro governador do Estado do Espírito Santo, o que ele fez e o que deixou de fazer, em função das circunstâncias e outros empecilhos que não comprometem a legitimidade da administração Vasco Coutinho. Sou de opinião, inclusive, que os descendentes do primeiro mandatário capixaba estejam presentes ao lançamento do livro e o leiam com toda atenção, para conhecerem bem melhor seu antepassado e se motivarem a uma união da família em torno de um resgate histórico bem mais amplo e abrangente do ex-governador do Espírito Santo. Um tipo de resgate que deve ter como premissa o restabelecimento dos privilégios do cargo que hoje são desfrutados por vários ex-governadores, inclusive, a pensão vitalícia, retroativa a 1535, que deverá ser recebida pelos seus descendentes. Não valem aqueles frutos das cautelosas visitas de Vasco às malocas de índias mais assanhadas. Portanto, Coutinhos de todo o Espírito Santo uni-vos, pois essa união pode resultar numa “baba” boa suficiente para pagar as dívidas pendentes de muitos de vocês e, ainda, tornar todos financeiramente independentes. Gente, arregace as mangas, eleja Glecy Coutinho para liderar o movimento e mãos à obra, pois vale a pena
Escrito por chicoflores às 19h13
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| 04/05/2009 |
Água é água e pronto, estamos conversados Numa tarde morna de início de verão de 1835, quando vagava pelas margens do Rio Charles, que separa Boston de Massachusetts, seu estado natal, o filósofo, poeta e naturalista americano Henry David Thoreau disse ao seu amigo também poeta Ralph Waldo Emerson que o acompanhava: "a água é a única bebida para um homem sábio". Foi uma frase lapidar que sobrepujou o tempo e se manteve válida, como elemento dinâmico em qualquer esgrimia de retórica, até hoje. Os abstêmios, por exemplo, não se cansam de enfatizá-la e a usam com frequência, quando não encontram outra definição de melhor afeito para justificar a sua injustificável aversão ao álcool. De minha parte, posso assegurar que não tenho nada contra a água, muito pelo contrário. Sei que ela faz bem à saúde, assim como ainda sei que é consenso a idéia de que todos devem ingerir, no mínimo, dois litros por dia para manter o organismo em equilíbrio. Todavia, sobre a quantidade a ser tomada eu não digo nada. Hoje mesmo, à tarde, eu perguntei à minha vizinha Carla, que é nutricionista aposentada, se haveria uma cota diária de água obrigatória para o organismo humano se manter saudável. Ela me respondeu que ingestão de água varia de pessoa para pessoa, assim como as próprias necessidades calóricas. As poucas palavras de Carla foram suficientes e atendeu à minha curiosidade. Aliás, ela mesma estranhou a inusitada pergunta e até me indagou se eu estava me submetendo a alguma dieta. Eu prontamente respondi que não e expliquei que tinha acabado de ler algo sobre o assunto que me gerou a dúvida. Na verdade, eu gosto de beber água e a tomo sem me sentir acicatado por qualquer tipo de remorso. Bebo-a até depois das refeições, apesar de conhecer e aceitar as restrições a esse hábito feitas por adeptos de correntes budistas. Segundo eles ensinam, a ingestão de líquido acelera o processo digestivo, tornando-o ineficaz. Mas, para mim, a água se transforma em nectar e a bebo insaciavelmente quando acordo de ressaca. Adoro aquele primeiro copo que mais se assemelha a um elixir divino de acesso restrito apenas aos santos de primeira hierarquia. Falar em ressaca, está na hora de tomar as cervejinhas de segunda-feira. Vou pro Bar do Gaúcho. Fui...
Escrito por chicoflores às 18h47
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| 23/04/2009 |
Eu e o Job da Bíblia não temos nada em comum
Quando eu digo, na roda de colegas de copo aqui do bairro, que militia est vita hominis super terram, não estou querendo esnobá-los e nem tampouco demonstrar cultura. Ao contrário, meu desejo é o de apenas acentuar o significado dessa sentença ditada há mais de dois mil anos e que está na Bíblia (Job 7,1), à disposição de qualquer um. Só não aceito que ela seja generalizada, ao ponto de ser imposta a todo mundo. Aliás, nas vezes em que eu a pronunciei, corroborando algo que tenha dito no calor de um debate de mesa de bar, jamais a coloquei como um estigma para a humanidade em geral, mesmo porque, se assim fosse, no meu caso específico ela não passaria de "letra morta". Falo isso com toda a sinceridade, pois, particularmente, em relação a mim, a sentença de Job não tem valor algum, inclusive, nem sei porque teimo em usá-la como argumento. Acho que é influência do meu amigo advogado Antônio Barcellos, que uma vez me confidenciou: "Negão, 10% do que escrevo nas petições são em Latim. E faz um efeito danado...". Eu, por exemplo, que sou um feliz aposentado, hoje me levantei, como sempre, às 10 horas e fiquei coçando o saco até ao meio dia. Não havia nada para fazer, a não ser olhar o dia, avaliar as condições do tempo e da temperatura e, de vez em quando, apreciar o movimento da rua sentado na varanda. Depois do almoço, entreguei-me de corpo e alma, como sempre, à improtelável soneca da tarde. Acordei uma hora depois, enlevado por aquela sensação de bem estar digna de um anjo de primeira hierarquia e, aí sim, à guisa de fazer alguma coisa, liguei o computador e naveguei pelos sites de notícias, desinteressadamente. No momento, estou me preparando para tomar as geladinhas do dia, tendo a certeza de que estou em paz com o mundo, a humanidade e comigo mesmo. Vai daí, posso conclui que a sentença de Job não mais me diz respeito, pois dela me livrei, quando me aposentei, e minha vida aqui na terra deixou de ser uma eterna luta.
Escrito por chicoflores às 18h45
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| 22/04/2009 |
Tem vezes que eu peço socorro a Kafka De Franz Kafka, na minha juventude, eu só li, mas não terminei porque não tive saco para chegar ao final, o seu conto "Um Médico Rural". Era muito surrealista para meu gosto, na época com 16 anos e pragmático por força da intensa carga hormonal que me mantinha eternamente preso à realidade. Para dizer a verdade, eu parei de ler na parte em que, como num passe de mágica, aparece uma cabana saindo do nada. O enredo é o seguinte, me lembro bem: um médico sai de sua casa para visitar um garoto doente, em uma noite fria. Até aí eu fui e enfrentei aquela série de eventos que eu chamava de coisas de doido que acorrem após a viagem dele, mas desisti com o aparecimento da tal cabana. Também, com Sandra, uma vizinha de 15 anos me provocando da janela da casa dela contígua à minha, jamais poderia prossegui. Todavia, isso não quer dizer que menosprezei Franz Kafka, para mim um dos maiores escritores de ficção da língua alemã do Século XX. Apenas explico que meu contato com sua obra seu deu muito cedo e eu ainda não tinha maturidade para encará-la e assimilá-la. Por isso eu me perdoo, só que relendo o mesmo conto mais tarde, percebi um paradoxo: ele não escreveu para velhos. Perdi minha oportunidade de lê-lo. Porém gosto de me lembrar dele e de citá-lo sempre que posso, como nesta manhã, em que fui instado a perder a paciência diante de um grupo de evangélicos que bateu insistentemente em minha porta até que eu a abri. "Viemos em nome de Jesus para lhe dar a salvação", diziam em voz alta, quase gritando. Eu me senti o próprio Satanás, num primeiro momento, tamanha era agressividade do grupo. Aliás eu já me acostumei com as investidas desses fanáticos em minha casa, nestes cinco anos morando aqui em Jardim Camburi, Vitória (ES). Acredito até que, como são muitas as seitas existentes no bairro, elas concorrem entre si acirradamente e não medem esforço para aliciar almas. E como hoje foi feriado, acho que todas as seitas caíram em campo, perseguindo os incautos que estariam em casa. Eles gritavam ininteligíveis passagem bíblicas e, quando, começaram a entoar uma algaravia à guisa de hino, eu interpelei em voz alta: "eu me rendo" e repeti, levantando os braços: "tá bem, eu me rendo, eu me rendo!". Eles se calaram e eu aproveitei a trégua momentânea e retruquei: "eu sou um discípulo do grande evangelizador Franz Kafka. Sua igreja ensinou quem ele é e vocês sabem que ele disse: "jamais perturbeis um cristão, se ele estiver de portas fechadas, pois ele estará orando." Bom, eles se foram e eu elevei meu pensamento e pedi perdão ao Franz, garantindo que isso não se repetiria, jamais.
Escrito por chicoflores às 01h12
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| 18/04/2009 |
‘En passant’, me lembrei de vodka e Moscou Diz um ditado russo que "a vodka é pura como lágrima" e eu não discordo, pois sua produção, através da destilação e da filtragem do álcool em carvão, elimina a maior parte das impurezas. Sei perfeitamente que ela é um destilado limpo, inclusive, está livre daqueles ingredientes responsáveis pelo mal estar existentes em outras bebidas, mas, mesmo assim, não conta com a minha preferência. Mas, isso não vem ao caso, pois apenas me refiro à vodka porque me lembrei de Moscou, não a Moscou contemporânea, mas aquela do meu tempo de estudante de Direito da Universidade "Patrício Lumumba", 40 e tantos anos atrás. Pelo que sei, a de hoje é bem diferente e só em uns poucos aspectos se parece com aquela metrópole que foi a capital da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Da Moscou atual apenas sei o que as revistas ou sites de turismo dizem, mas, mesmo sendo leituras direcionadas à atração de turistas, em algumas pode-se pinçar realidades que assustam. Uma dessas publicações que li classificava a capital da Rússia como "um conto de fadas ameaçador". E acrescentava: "Uma Cinderela que não deixe o Kremlin à meia-noite pode perder mais que o sapatinho de cristal." Claro que as cidades mudam, ganham novos aspectos, são influenciadas por outras culturas e até mudam o modo de vida de seus habitantes. Vitória, aqui no Espírito Santo, mudou bastante em 40 anos e não é mais uma "Cidade Presépio", e assim deve ter acontecido com a Moscou florida que conheci quatro décadas atrás, quando sequer se imaginava um mendigo nas ruas, quanto mais populações de sem-teto como hoje. Na minha época, Moscou beirava os 3 milhões de habitantes e hoje tem mais de 9 milhões. Não era uma cidade efervescente e agitada, e não era dominada por contradições: hoje é chamada de feia, mas ao mesmo tempo atraente. Feia em função de seus prédios antigos e de arquitetura cinza, e atraente por abrigar algumas das construções mais fascinantes da Europa e pelo verde exuberante de seus parques. De minha parte, em relação a Moscou, eu só sei que nunca mais lá voltarei e é com esta verdade que tenho de conviver, e pronto... Inclusive para não criar expectativas imbecis que possam contaminar esta gostosa vida de jornalista aposentado que eu vivo! Em relação à vodka, tudo bem, posso até tomar uma dose de vez em quando, mas sem interferir na minha rotina diária de cervejinhas, após o entardecer. Aliás, já está passando da hora de tomar "umas"! Fui.....
Escrito por chicoflores às 18h38
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| 12/04/2009 |
Perdi meu valioso tesouro para Bill Gates Eu sempre levei a sério a sabedoria popular e jamais minimizei a importância de seus ensinamentos práticos e válidos para a vida toda. Ouvia-os de meus pais, que ouviram de meus avós e assim, sucessivamente, ensinei alguns para minhas filhas, pois são expressões que continuam imutáveis como exemplos morais, filosóficos e religiosos. Na verdade, compõem uma ciência marcada pela simplicidade, mas mostram que sempre há uma solução para cada problema... E tanto na forma quanto no conteúdo, os ditados populares são inerência cultural de cada povo ou região. Inclusive, historiadores e folcloristas vêm tentando descobrir as suas origens, mas, como se perdem no tempo, a tarefa fica difícil. Claro que eu excluo do rol das sapiências populares aqueles ditados de botequim, como: "é melhor um peito na mão do que dois no sutien", "é dando que se engravida", "a esperança e a sogra são as últimas que morrem" ou "quem com ferro fere não sabe como machuca". Mas, em relação à ciência do povo, sempre tive comprovações de sua veracidade e utilidade na prática. Na madrugada deste domingo, por exemplo, tive oportunidade, mesmo em sonho, de comprovar três ensinamentos da sabedoria popular. Sonhei que estava em uma clareira, no meio de uma densa floresta e me sentia compelido a seguir uma trilha que eu não sabia até onde me levaria. Eu estava sendo atraído para dentro da floresta, onde eu deveria encontrar algo que até então não sabia o que seria. Segui a trilha que, apesar de estreita, estava bem visível, com seu piso pintado de branco, como uma passarela de pedestre em qualquer rua. De repente surgiu à minha frente uma pedra de uns dois metros de altura por uns 10 metros de circunferência com um buraco onde estava um baú de 50cm por 30cm que eu me sentia forçado a abrir. A fechadura era bem simples e, com um leve toque do dedo indicador, consegui abri-lo, surpreendendo-me: o baú estava cheio de moedas de ouro. Tirei aquele tesouro de dentro do buraco e, gritando "estou rico, estou rico", retomei o caminho de volta. Só que o baú saltou-me das mãos e foi parar a uns 10 metros de distância. Apressei-me para pegá-lo novamente, mas parei a uns cinco metros dele, quando vi, ao seu lado, o multibilionário americano Bill Gattes que sorriu para mim. Devolvi-lhe o sorriso e esperei que ele pegasse o meu baú e me entregasse. Ele pareceu entender e estendeu os braços em direção ao meu tesouro que, imediatamente, saltou em sua direção, como uma criança saltaria feliz para o colo do pai. Mas, um forte ruído de grandes hélices em alta rotação me fez olhar para cima, e vi um helicóptero Boeing/Sikorsky RAH-66 de US$ 6,9 bilhões descendo até pairar bem acima de Bill Gates e do meu baú cheio de moedas de ouro e puxá-los para dentro, através de um feixe de luz intensa. E eu fiquei ali, parado, vendo o meu tesouro sumir nas alturas. Foi aí que, enquanto o helicóptero se distanciava, lembrei-me de três ditados populares: "o rio só corre para o mar", "só ganha quem não precisa" e "dinheiro atrai mais dinheiro". Em seguida, ouvi algo semelhante a latidos às minhas costas. Virei-me bruscamente e deparei-me com três cães que, aos latidos/gargalhadas, riam de mim. Acordei puto da vida.
Escrito por chicoflores às 20h25
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BRASIL, Sudeste, VITORIA, JARDIM CAMBURI, Homem, Portuguese, Portuguese, Bebidas e vinhos, Música Outro -
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